ESSES MOÇOS, POBRES MOÇOS

Foto: Divulgação

Começo hoje meu texto com as frases iniciais do inesquecível Lupicínio Rodrigues na sua música: Esses Mocos. Faço para lembrar daqueles moços que vivem lá pelas bandas de Curitiba, que se mostram tão valorosos no combate a corrupção e quando contrariados se portam como aquelas crianças que deseja um brinquedo e ficam esperneando até serem atendidos.

 

Não sei se o ouvinte lembra, mas no meu comentário da última segunda-feira trouxe o assunto da visita da subprocuradora da república fez a estes danados meninos lá do Paraná. Se não lembram, vou contar a estória novamente.

 

A subprocuradora da república Lindora de Araújo encaminho no dia 13 de maio, ofício a força tarefa Lava Jato que iria a Curitiba, juntamente com a Corregedora para uma visita técnica. Esta subprocuradora, que é responsável pelo acompanhamento dos processos força tarefa no Paraná, solicitou compartilhamento dos dados levantados nas ações sob os auspícios dos valentes da Lava Jato com a Procuradoria Geral da República. A visita ocorreu em junho último, sem a presença da corregedora que não compareceu por estar doente.

 

O compartilhamento destas informações seriam também para verificar a abertura de mais de mil inquéritos abertos nos últimos cincos anos que não foram encerrados, mas também para apurar, vejam só, caros ouvintes, o sumiço de dois aparelhos de receptação telefônica de nome Guardião. E ainda apurar a suspeita de distribuição fraudulentas de processos e ou irregularidades. Há ainda indícios de que o acervo das gravações foi apagado. Se tudo isto é verdade é uma situação gravíssima.

 

O chefe da operação do procurador da república Deltan Dalgnol logo se insurgiu contra o compartilhamento das informações sigilosas sob a fraca argumentação de que estas somente podem ser disponibilizadas mediante ordem judicial e com justo motivo. Ele também aproveitou e encaminhou a corregedoria da procuradoria da república consulta para saber os reais motivos deste compartilhamento das informações sigilosas com a PGR. Todas estas notícias foram divulgadas no site CONJUR na última sexta-feira. De imediato o intrépido Deltan disse que a notícia divulgada era fake News. Mas o site disse que não retira uma só linha do que publicou.

 

De logo um bando de gente desinformada que não conhece as leis e seus trâmites e também daqueles que dizer conhecer as leis, logo caíram na conversa da força tarefa. Passaram a reverberar que seria uma tentativa de esvaziar a Lava Jato e blá blá. A cantilena de sempre.

 

Agora vamos pôr ordem nas coisas e estabelecer a verdade.

 

A ida da subprocuradora juntamente com a corregedora, comunicada através de ofício é perfeitamente legal. Por ser responsável pela fiscalização dos promotores da força tarefa não se pode falar em estranheza ou ilegalidade. Vejam caro ouvinte. O ofício informando a visita se deu um mês antes de usa ida e de conhecimento dos envolvidos. O compartilhamento de informações junto a PGR também é perfeitamente legal. Além de ser normal de quem supervisiona uma atividade no âmbito da procuradoria da república faça visitas e exija explicações sobre as ações dos promotores. Até porque segundo noticiou o site CONJUR há suspeitas de inúmeras irregularidades na atuação dos valentes de Curitiba.

 

Um dado interessante que implica em descrédito nas informações do Dallagnol foi de que em 2014 requereu a 13ª vara federal de Curitiba que todas as informações presentes e futuras das operações de Curitiba fossem compartilhadas entre a procuradoria. Foi pedido, aceito e publicado em diário da justiça federal. Agora que é submetido a responder sobre seus atos e de seus colaboradores, sai com o argumento que tais dados sigilosos da Lava Jato não podem ser compartilhados. Ora, ele sabe que a visita e o compartilhamento destas informações são legais e necessários para apuar as supostas irregularidades.

 

Em nota respondendo aquilo que foi divulgado na imprensa, a PGR afirma que a visita foi agendada, não era inspeção, e sim visita de trabalho. O compartilhamento dos dados foi ajustado previamente com os procuradores da Lava Jato. Outra desculpa esfarrapada divulgada pelos procuradores de Curitiba seria que o compartilhamento destes dados poderia ser vazados e prejudicar as investigações em andamento. Isto é tão verdadeiro quanto uma nota de três reais.

 

Mas esses moços de Curitiba se acham acima das leis e das instituições e qualquer fiscalização sobre suas atuações é uma armação para pôr fim no trabalho da Lava Jato. As denúncias divulgadas das supostas irregularidades tais como sumiço de equipamento de gravação, fraudes processuais que podem inclusive anular boa parte dos processos da força tarefa, são gravíssimas e precisam ser apuradas. O que não pode é alguns desinformados dar azo aos argumentos frágeis que saem dos valorosos moços de Curitiba como se fossem grandes paladinos de combate a corrupção, coisa que sempre repetirei. Nunca foram. Esses moços, pobres moços, Ah se soubessem o que sei....

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