LEÃOZINHO

Foto: Divulgação

Dentre as atribuições àqueles que exercem cargos majoritários na administração pública, está inserido o decoro. Palavra de origem latina que significa decência ou conveniência, que por sua vez deriva do verbo “decere” que quer dizer “convir” ou “ser adequado” Assim cabe a autoridade que se comporte desta forma, até porque, em última análise, possa ser respeitado, senão por sua posição politica, mas pelo menos em razão do cargo que ocupa.

Mas por que estas considerações acima descritas? Para lembrar aos ouvintes que temos um presidente da república que parece não saber o que é ser um presidente da república. Suas atitudes desde a sua posse tem sido na contramão daquilo que se esperar da maior autoridade do Brasil: postura de um chefe de Estado. Useiro e vezeiro das redes sociais, suas publicações beiram o comportamento de um adolescente desajustado a mais pura irresponsabilidade quando usa para atacar as instituições públicas do país.

A mais recente das publicações postadas na conta do presidente da república trás um leão sendo importunado por hienas ao qual representam os supostos desafetos nominados entre outros o STF, a OAB MBL e por aí vai. O vídeo que trazia esta algarvia foi retirado do ar. Mas não adiantava. O estrago já estava feito e casou resposta imediata das instituições atacadas.

A mais incisiva das respostas contra o conteúdo da postagem presidencial partiu do STF, em especial do ministro Celso de Melo. Por ser o decano do tribunal, é escolhido para defender a instituição. Suas palavras duras, fato incomum, pois tem sempre um cometimento nas palavras, foram a resposta a altura do festival de ofensas sofridas pela instituição. Dentre as coisas respondidas está o seguinte: “Esse comportamento revelado no vídeo em questão, além de caracterizar absoluta falta de 'gravitas' e de apropriada estatura presidencial, também constitui a expressão odiosa (e profundamente lamentável) de quem desconhece o dogma da separação de Poderes e, o que é mais grave, de quem teme um Poder Judiciário independente e consciente de que ninguém, nem mesmo o Presidente da República, está acima da autoridade da Constituição e das leis da República"...

Vendo a besteira sem tamanho feita, de logo o presidente Bolsonaro retirou do ar o vídeo decrépito. Mas o fato de retirar e depois pedir desculpas pelo que foi divulgado nas redes sociais, não tira a responsabilidade presidencial do comportamento no mínimo desrespeitoso. O seu pedido de desculpa também não minora o estrago feito. E causa mais estranheza que a feitura e divulgação deste vídeo vergonhoso é de alguém que tem as senhas das contas das redes sociais presidenciais e se é divulgado, tem aval do presidente. Inadmissível que um presidente da república se preste a este tipo de comportamento. As duras palavras do ministro Celso de Melo representa a carraspana que envergonharia qualquer autoridade politica com o mínimo de decoro. E não sei o que é pior? Divulgar este vídeo horroroso ou ter que ouvir o que disse o ministro do STF.

Mas não se engane ouvintes. Estas coisas não são descuidos como tenta aparecer. É um método. Desancar as instituições já era prática comum do presidente quando era ainda deputado. Como era uma estrela apagada, ninguém dava bola para as suas doidices. Agora na presidência continuar a fazer o mesmo. Porém suas falas tem repercussão. E o que diz e o que pensa trás consequências e se não forem bem trabalhadas podem criar crises politicas incontornáveis e sem fim. É preciso que o presidente Bolsonaro se atente que não é mais aquele parlamentar de opiniões exóticas e desinteressantes e que não pode ficar publicando nas redes sociais postagem que mais parecem coisa de adolescente.

Mas o pedido de desculpa não chegou aos ouvidos de um dos  auxiliares mais próximo da presidência. Falo de seu assessor de assuntos internacionais, o Felipe Martins. Não satisfeito com a repercussão do ocorrido, a distinta figura volta a atacar dizendo que o establishment é punhado de hienas. Primeiramente este cidadão, um despreparado do ponto de vista intelectual para o cargo que ocupa, num país sério seria exonerado. Presta um desserviço seja na função que ocupa, já que seu domínio de direito e relações internacionais é da qualidade do que está escrito no manual dos escoteiros mirins dos sobrinhos do pato Donald, como em ficar incendiando em redes sociais com coisa que seu chefe já pediu desculpas. Mas esta gente leitora de meia dúzia de quatro livros e que se acha intelectual, não sabe os limites que certos cargos públicos exigem. Talvez, quem sabe um dia aprende. Mas pelo andar da carruagem acho difícil.

O discurso que o Brasil precisa de gente conservadora e patriota e chavão de descerebrado. Primeiro, que conservador como se intitulam na acepção correta da ideia politica, nunca foram. O conservadorismo defendido não é o que esta gente prega, é outra coisa completamente diferent e quanto ao patriotismo, como já disse aqui, mais de uma vez, reproduzo a frase do grande pensador inglês Samuel Johnson: O patriotismo é último refúgio dos canalhas.

Assim espera-se que tal fato não se repita. Sei que isto não vai acontecer, pois desancar as instituições é uma atitude com propósitos mais profundos e o presidente Bolsonaro não vai se afastar destas condutas. Espera-se que o presidente da república realmente cumpra que vai se retratar de forma escrita. E que se comporte como um presidente da república deve se comportar. Respeitando as instituições, os poderes públicos e as instituições. Lembrando que não administra o Brasil para a sua grei, mas para todo o povo brasileiro.

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