O DESEQUILÍBRIO E AS INSTITUIÇÕES

Foto: Divulgação

Vivenciamos nos dias de hoje um acirramento sem precedentes das opiniões. Sejam elas quais forem às matizes que colorem o debate. A discordância virou sinônimo de inimizade. A situação chegou a tal ponto que as ameaças à vida dos outros chegou a quem jamais se esperava a um ato transloucado deste jaez.


Falo da entrevista do ex-procurador geral da república Janot. Este declarou que adentrou na sede do STF com uma arma. Sim uma arma e com a clara intensão de matar o ministro Gilmar Mendes. Segundo seu relato seus dedos tremeram ao encostar no gatilho. Diz ele que uma força superior travou seus dedos. Um dado estarrecedor. Ele pratica tiro ao alvo. A motivação se deu numa suposta estória de envolvimento da filha do procurador como advogada da empreiteira OAS e que esta notícia, falsa, segundo ele foi divulgado pelo ministro, com clara intensão de atingir a sua família e que a mesma estava sendo difamada. Pois ainda segundo declaração do procurador, ela nunca foi advogada da citada empresa.


Não importa a motivação que levou a esta atitude, mas o Janot ultrapassou todas as esferas do bom senso e do decoro do cargo que ocupou. A tentativa de matar um ministro é de uma gravidade que extrapola as raias da sanidade. A estória por ele contada que envolve a sua filha é mentirosa até o último talo. A imprensa em quase a sua totalidade trouxe a petição e outros documentos que comprovam que a mesma era sim advogada da empreiteira num processo no CADE.  Então a motivação de sua atitude maluca e homicida não se sustenta diante de tais fatos tão veementes.
 

Analisando o fato de tentativa de homicídio engendrado por um ex-procurador somente demonstra as concepções erradas que o Brasil tomou e acreditem ainda toma. A escolha de Janot foi através da famigerada listra tríplice promovida por procuradores numa eleição entre eles. Lista esta, diga-se de passagem sem amparo legal. Escolhido por Dilma Rousseff, o antecessor de Raquel Dodge já era conhecido pelas hostes jurídicas de mentes mais claras, de suas parcas consistências de conhecimento jurídico. Já era famosa a qualidade ruim de suas peças seja do ponto de vista do português e seja do ponto de vista do Direito. E não somente eu que digo isto, mas uma penca de juristas Brasil a fora.


Pasmem amigos, o Janot era quem articulava as operações da Lava Jato dando suporte às ilegalidades cometidas pela república de Curitiba. A fala do ex procurador não significa tão somente atingir pura e simplesmente um ministro com um tiro, mas todo o judiciário. O seu desequilíbrio pode contaminar todos os atos que praticou quando ocupava cargo tão importante. Sim, isto é possível. Mas devemos aguardar o papel das instituições sobre o caso.

 
Vendo a atitude criminosa do procurador, o Ministro Toffoli encaminhou ao Ministro Alexandre de Morais, que é relator do inquérito que investiga ações contra o STF em especial fake news, ameaças e infrações a possibilidade de encaminhar medidas legais contra o indigitado. Pois bem, de logo o Ministro determinou busca e apreensão nos dois endereços do Janot. A decisão acertadíssima diga de passagem, ainda determinou que o mesmo ficasse afastado de todos os outros ministros do STF, bem como foi cassado o direito de portar arma de fogo. Segundo o despacho de Moraes afirma em “tese” que houve indícios dos seguintes delitos: O 286 do CP que é incitamento ao crime, art. 14, II também do CP e os artigos 18, 22, 23, 26 3 27 da lei 7.170 de crimes contra a segurança.


Como as coisas aqui no Brasil são meio atrapalhadas, a ANPR divulgou uma nota risível alegando que falta “contemporaneidade” ao fato de se realizar a busca e apreensão contra o aposentado procurador. Ou seja, os danados usam os mesmos argumentos que tanto combatiam quando eram usados pelas pessoas presas através de suas ações e não eram acatadas pela República de Curitiba. Durma com um barulho desses.


A entrevista dada por Janot não se resume a esta confissão de caráter quase homicida. Disse outras mentiras, entre elas o de ser chamado para ser vice-presidente na chapa de Aécio Neves. De logo foi desmentido pelo atual deputado.

 
Mas analisando o caso de forma mais profunda, ficamos a observar a que tipo de gente está a ocupar os cargos mais altos do país. Obvio que ninguém em sã consciência iria prevê que uma das mais altas autoridades do país tenha tentado o que ele disse, mas a qualidade profissional destas pessoas que ocupam tais postos de relevância para a república. Vemos a todos os dias uma gente despreparada e sem o mínimo de decoro em suas atitudes que detratam o cargo e suas funções pelos mais diversos motivos. O tiro que não deu o ex procurador, acertou em cheio nas nossas consciências e nos faz pensar em que autoridades queremos para comandar o Brasil. Não digo com espirito de tentar matar autoridades, mas probo e com capacidade técnica.

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