O INCRÍVEL PÉSSIMO TEXTO SOBRE COISA NENHUMA

A partir desse momento, você, caro leitor, deve estar imaginando qual vai ser o assunto que será discorrido até o fim desse texto. Em verdade, vos digo: também não faço ideia.

@newartdealers

Percebo um fato engraçado em minhas crônicas: o excesso uso de “eu” e “acho”. Um fato engraçado, pois parece que sou egocêntrico e carrego muitas incertezas. Bom, a primeira característica tá bem longe de minha realidade. Na verdade, tá longe da minha pessoa, já da minha realidade – publicitariamente falando – está tão próxima quando o som alto dos vizinhos aos sábados. A segunda, é essa aí é bem minha cara. Ou será que não?

Dúvidas a parte, resolvi me propor um desafio: fazer uma crônica sem essas palavras. Um exercício de esforço mental e controle psicológico grande, em prol de entretenimento. O teste só mostra o quanto as pessoas se esforçam pra prender a atenção de alguém. Vou buscar te manter agarrando minhas linhas, devorando minhas palavras, durante os próximos parágrafos. Vou usar aqui, a última vez, só para amenizar minha situação, ok? “Eu acho”. Pronto. Agora começou. Valendo:

A partir desse momento, você, caro leitor, deve estar imaginando qual vai ser o assunto que será discorrido até o fim desse texto. Em verdade, vos digo: também não faço ideia. Pode ser que vire um texto sobre futebol, sobre madrugadas de insônia, ou sobre lhamas. Afinal de contas, a gente nunca quando uma lhama vai aparecer do nada.

Deve ser porque as lhamas não são daqui, e assim como esse texto, também não faço ideia de onde elas vieram. O que me faz voltar ao principal objetivo do texto: nenhum. Só não usar as palavras citadas na introdução. Não as deixar ficarem se repetindo, tornando um texto tão enjoativo quanto misturar leite condensado e mortadela num pedaço de pão. Fazer isso, provavelmente, vai te levar a uma noite longe da cama e perto do... É... Você sabe.

Só prova que existem coisas legais, mas que não servem para ficar juntas – parece que o texto tá tomando um rumo reflexivo, não tô gostando. Este texto, caro leitor, não tem a finalidade de te fazer refletir. Não tem a missão de te imergir. Muito pelo contrário, faço questão de te lembrar, a cada parágrafo, que você está lendo um texto, não fazendo parte de um dos livros do Harry Potter. Desculpa te frustrar, mas você não entrou na plataforma 93/4.

Por isso, leitor, ao te chamar assim, tiro a sua imersão, e estou voltando a dizer: você está em terceira pessoa. Estou quebrando a quarta parede agora, se é que existem paredes a num texto – é um texto, não esquece, tá?

O que me impressiona, caro leitor, é você ter chegado até aqui. Sério. Não estava aguentando mais. Escrever coisas sem sentido parece fácil, mas dá trabalho. Acabo esquecendo o principal objetivo do texto: nenhum, só não escrever aquelas palavras citadas no início neste belo exemplo de texto ruim.

Pela gramática, parece que minha situação não é das melhores ao chegar a essa conclusão de coisa nenhuma. Os verbos usados em primeira pessoa, independente das palavras antecedentes, ficaram com o sujeito oculto. Traduzindo: eu falei “eu” o tempo todo. Em verdade, continuei dando meus pitacos e achismos, só não usei o “acho”. Parece que cheguei a incrível conclusão dessa coisa nenhuma: eu acho que perdi o desafio.

Sério que você ainda tá lendo isso aqui?!


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