Produtores do Nordeste vivem desafio por causa do clima

O esperado era que as chuvas tivessem vindo mais cedo. Mas choveu em janeiro e parou. Agora é se apressar para aproveitar o que ainda deve chover nesse mês.

Globo Rural

A agricultura no Nordeste é sempre um desafio. Durante boa parte do ano, tem a seca. E quando vem a chuva, ela é irregular, até dentro de um mesmo município. Nossos repórteres mostram como está a temporada de chuvas no Rio Grande do Norte e em Pernambuco.

Fazia tempo que Dona Maria Mendes não usava a enxada. Quando voltou a chover em janeiro, ela plantou milho, feijão, melancia e abóbora em uma área de um hectare e meio em Petrolina, no sertão de Pernambuco. "Esse ano foi diferente dos outros, realmente, porque choveu bastante, e os outros só dava uma chuva e pronto, ia embora e acabava”, diz a agricultora.

Seu José Enoque da Silva se adiantou e começou a plantar antes mesmo da chegada das chuvas. A aposta tem dado certo. "A melancia já tá começando a florar, o milho também já tá bem 'nascidinho', graças a Deus que a chuva deu para nascer. Tamo esperando mais um pouco de chuva para poder aumentar mais pra gente lucrar”, diz ele.

Um céu carregado de nuvens. A caatinga cinzenta se pintou de outras cores. E a terra, que antes só fazia poeira, agora está molhada. As chuvas dos primeiros meses deste ano ajudaram a transformar a paisagem seca do sertão e também a vida de muitas pessoas.

A agricultora Jeciene Souza Ferreira começou o cultivo ainda em janeiro. Agora os pés de milho já estão crescendo, a melancia está ganhando forma e as primeiras vagens de feijão já foram colhidas. “Que venham mais e mais chuvas pra gente poder plantar e colher o fruto”, diz ela.

A situação no Rio Grande do Norte


O jeito é correr mesmo com a plantação de feijão. O esperado era que as chuvas tivessem vindo mais cedo. Mas choveu em janeiro e parou. Agora é se apressar para aproveitar o que ainda deve chover nesse mês. 

Em Caraúbas, região oeste do Rio Grande do Norte, mais de 1000 agricultores estão na mesma situação de seu João Basílio de Sousa: esperando que as chuvas desse mês garantam pelo menos as safras de feijão e sorgo. Já que provavelmente não chove mais o suficiente para colher milho.

As chuvas também vieram mal distribuídas no leste do município. Não choveu nem 200 mm no acumulado do ano. Enquanto que em localidades a 20 km da região chegou a cair mais de 500 mm.

Alguns açudes em municípios da região oeste conseguiram se recuperar. Há dois anos o de Felipe Guerra estava totalmente seco. Seu Gidel Alves da Silva já tinha desanimado com as poucas chuvas do início do ano, mas quando viu que elas tinham voltado, resolveu plantar feijão. E não é que já tá grandinho? Terreno capinado e agora esperar por mais chuvas.

Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), os agricultores do Rio Grande do Norte e Pernambuco devem colher uma safra de grãos 57% maior este ano. Mesmo com chuvas irregulares em algumas regiões, a situação está bem melhor do que a do ano passado, quando a seca foi mais severa nesses estados.

Reportagem obtida o Globo Rural

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